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Ryan Nunes relata o descaso da prefeitura de Petrolina quanto à cultura e Conferência Estadual

NO DIA 15 de outubro de 2013 o músico Ryan Nunes, integrante das bandas M-XV e Sollos, concedeu entrevista ao programa Conexão Verdade, da rádio petrolinense A Voz do São Francisco – Emissora Rural (AM 730 KHz), aonde relatou o inconveniente ocorrido na III Conferência Estadual de Cultura que aconteceu em Gravatá/PE nos dias 25 a 27 de setembro, na qual ele participou como Delegado de Cultura de Petrolina da Sociedade Civil (eleito na II Conferência Municipal de Cultura de Petrolina).

RESPONSÁVEL DE ARCAR com as despesas da viagem do delegado eleito, a prefeitura até a data da conferência ainda não havia autorizado o repasse financeiro, excluindo assim o município da representatividade em Gravatá. Ryan Nunes, no entanto, valendo-se de articulações junto ao meio resolveu ir por conta própria.

Foto: AM 730 A Voz do São Francisco
Confira a seguir o relato divulgado por Ryan: 

“Na Conferência Municipal de Petrolina, foram eleitos mais dois Delegados da Sociedade Civil e um Delegado da Gestão, e também, aprovados pelo regimento, dois Delegados Natos: o Secretário de Cultura e um representante do Conselho Municipal de Cultura de Petrolina; totalizando assim 6 Delegados Municipais para REPRESENTAR a cidade na III Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco; 

“O custeio da ida dos Delegados Municipais, bem como a hospedagem, eram encargos da Prefeitura de Petrolina, o que foi pré-organizado, mas até o dia da Conferência Estadual, não foi autorizado o repasse financeiro para os Delegados;

“Até então, Petrolina não estaria representada com os seus delegados. Por ironia do destino, ou não, estava em Recife por conta própria, e através de incentivos e articulações, resolvi ir a Gravatá, pois a cultura de Petrolina, pelo menos para nós artistas, é importante e não pode ser deixada ao léu. Destaco agora mais alguns pontos pertinentes:

“Devido a ausência do custeio e nem expectativa desse, por parte da prefeitura, juntei-me a dois Artistas e Produtores de Cultura de Petrolina, que estavam indo para Conferência pelas suas Setoriais, Joedson Silva (Setorial de Teatro da Região do São Francisco) e Chico Egídio (Setorial de Audiovisual do Estado de Pernambuco), ambos custeados pela FUNDARPE;

“Através disso, peguei uma CARONA ‘escondido’ no ônibus da FUNDARPE, este destinado a transportar os representantes das Setoriais do Estado, como acima explicado;

“Ao chegar em Gravatá, improvisei-me em uma rede na varanda de um quarto do hotel, onde acontecia a Conferência Estadual;

“Nem a carona e muito menos o fato de ter dormido em rede, foram sacrifícios para mim, ou me causaram algum desconforto físico, mas o que me deixou triste e tenso foi o fato da minha impotência perante o descaso da Prefeitura da Cidade que tinha a RESPONSABILIDADE de propiciar o necessário e nada fez. O fato de a qualquer momento ser questionado o que fazia naquele ônibus ou no quarto de hotel, e passar por um provável constrangimento, me tiraram o sono em alguns momentos.

“É importante destacar que a Conferência Municipal de Petrolina é feita com dinheiro público. Apesar das propostas e dos debates construídos na mesma terem sido de fundamental importância, fica o questionamento: qual o sentido da sua realização, de última hora, já que não seriam enviados os Delegados eleitos a Conferência Estadual?

“Ouviu-se dizer que o Prefeito não enviaria os Delegados porque a Cultura é contra ele. Ora, como a Cultura é contra ele? Prefiro nem gastar linhas diante de possíveis “abobrinhas” ditas. O que é mais cômico, embora irônico, é que as Conferências, ajudam, e muito o desenvolver da gestão executiva, pois nelas discutimos políticas públicas.

“Mesmo com todo o descaso e com nossos sacrifícios, fui eleito Delegado de Cultura Estadual, representando do Sertão do São Francisco. Em Novembro irei junto aos demais delegados eleitos a Brasília, para III Conferência Nacional de Cultura. Isso só foi possível com muita articulação e com o voto de confiança de regiões como o Agreste e Sertão pernambucano e membros de algumas Setoriais de Cultura do Estado.

Imagine se tivéssemos o apoio da Gestão? Imagine se existisse apoio à cultura de Petrolina? Imagine se as leis que versam sobre a cultura de Petrolina fossem cumpridas? Imagine!” (Ryan Bruno Nunes Freire)