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Raiz e Remix Festival 2011

A PRIMEIRA DAS duas noites foi na sexta, dia 21 de agosto (no parque municipal de Petrolina), aonde foi dada à banda Cabelo de Serpente a responsabilidade de iniciar as atividades nos palcos. Eles tocaram no Palco da Feira Multicultural para um público tímido que começava a chegar e conteve-se em ficar a cerca de cinco metros dos artistas. No entanto, o seu bom show foi muito bem aplaudido quando chegou ao fim. Poucos minutos depois, enquanto a tenda eletrônica também se aquecia com a presença dos b-boys, Flávio Baião inaugurava o Palco Central com o seu forró de raiz e a sua sanfona, com a qual tem grande intimidade. Logo depois, foi a vez da Bazzara levar um som mais pesado no outro palco, aonde além de suas músicas tocaram uma sequência de canções do Metallica e outros covers que incluíram Marylin Manson. Problemas na bateria quase fizeram o seu show acabar mais cedo, mas a banda contornou a situação mostrando vontade de tocar. O diferente e contagiante som da Bande Dessinée invadiu o palco Central dando prosseguimento ao festival em um show que era bastante esperado por esse sexteto recifense que é amante da música francesa sessentista e setentista.

RUKHA SUBIU COM no Palco da Feira Multicultural e o seu reggae cheio de influências que tem o poder agradar quase todo o mundo, sintonizando todos em uma frenquencia que soa familiar, e logo passou a bola para os Matingueiros, que demoraram um pouco para iniciarem a apresentação mas compensaram o atraso. Com um show que o próprio vocalista Wagner Miranda explicou sendo composto por apenas 30% de músicas conhecidas pelo público, eles conseguiram manter a energia de sempre em alta. Após o Palco Central dar uma pausa, todos se diviriram entre a tenda eletrônica com Dj Mangue Boy e o show da Andranjos, que recebeu o melhor público da noite no Palco da Feira. A Andranjos já começou o show chamando todo mundo para a roda, tocando somente sequências para não deixar os fãs parados – e conseguiram com sucesso. Ainda com o sangue quente, todos correram logo depois para o hardcore da última atração da noite: Devotos. A empolgação era tamanha que chegou a se descontrolar em certo ponto que o trio parou na metade do show e chamou o apresentador Jocécio Belo para dar uma dica para a galera e evitar a violência. O vocalista/baixista Canibal complementou pregando a paz e ameaçando o término antecipado da festa caso a agressão da roda punk continuasse. Por sorte, todos respeitaram a banda e fizeram novamente a poeira subir – literalmente falando – até o fim.


NA SEGUNDA NOITE de festival, no sábado (27), foi a vez do espetáculo “Eu Vim da Ilha”, da Cia de dança do Sesc, iniciar a festa. Logo após, o jovem sanfoneiro Daniel Itabaiana comandou o Palco da Feira Multicultural enquanto o público crescia mais e mais. Em seguida, conferimos toda a cultura, beleza e tradição da Ilha do Massangano ser representada com o Samba de Véio no palco central do festival. A apresentação anterior mal tinha acabado e o cortejo Baque Opará não deixou a animação parar chamando todos para a Feira Multicultural e dando as boas vindas à próxima banda do palco dali, a Estrógeno. O quarteto recifense formado exclusivamente por garotas agradou bastante com o seu hard rock bem executado e demonstrou bastante simpatia, passando a vez logo em seguida para Lia de Itamaracá, a maior cirandeira do Brasil, que começava o seu show no palco principal.

DEPOIS DA CIRANDA, o Projeto Tio Zé Bá chamou todo mundo para o reggae em um show bastante interessante que o público não queria deixar acabar. A insistência foi tamanha que a banda teve de atender ao pedido de bis enquanto Marcelo Panthera e os Bruxos da Noite já mostravam a sua primeira canção no Palco Central. Eles, que são olindenses, disseram se tratar do show de despedida da longa e proveitosa passagem que fizeram pela região. Os Djs Iury Panzarini e Justino Passos comandavam a tenda eletrônica da noite enquanto no segundo palco Cobaias começava um dos shows mais aguardados da noite, marcando o retorno da banda após oito anos. O hardcore, que não podia faltar, aconteceu de forma nostálgica, e o punk iniciado ali terminou com uma pitada de brega no palco principal, que recebia o grande Wander Wildner, maior atração desta edição do Raiz e Remix. O gaúcho, ex-Replicantes, convidou todos para se mexerem mas a quantidade dos que realmente conheciam a sua música era demasiada pequena. Isso, contudo, não atrapalhou nem um pouco a festa dos roqueiros. “Essa é para as pessoas que dançam: as que eu mais gosto, depois dos gatos e cachorros”, disse Wildner já perto do final de seu show, por volta das 3 horas.


Texto: Giuseppe | Fotos: Joci/Jefferson/Giuseppe